Atravessando a Abertura Relatório: Esperanças Palestinas para Barak Obama

|
AFP foto mostra pintura do Presidente
americano eleito Barack Hussein Obama II, encontrada nas ruas da cidade de
Ramallah, na palestina ocupada.
|
|
Por Yasser Abed Rabbo, 01/12/2008
A positiva campanha por mudança promovida pelo presidente americano eleito Barak
Obama inspirou esperança não só milhões de americanos que votaram nele, mas
também bilhões de pessoas pelo mundo que não puderam fazer o mesmo. Por todo
Oriente Médio, assim como em todo o mundo, as expectativas crescem em relação a
nova era para o papel da America no mundo.
Os palestinos se identificam muito com o movimento dos Direitos Civis nos
Estados Unidos. Muitos lembram do tempo em que a Sociedade Americana valorizava
a segregação racial. Esta foi a mesma sociedade que agora elegeu um afro-americano
como presidente poucas décadas depois , renovando as esperanças dos palestinos,
que em nossa luta contínua por justiça e liberdade, nós também iremos superar.
O triunfo eleitoral de Obama chega em um momento simbolico na história Palestina.
Este mês marca os 20 anos da Declaração da Independência da Palestina.
Rascunhada pela poetica mão de meu falecido amigo, Mahmoud Darwish, este texto
não é menos visionário. Enquanto anteriormente a Organização pela Libertação da
Palestina (OLP) fez campanha por um regime único, secular, democrático e
Palestino, nossa declaração de Independência prega uma solução com dois estados.
A profundidade deste compromisso pode ser apreciada somente em seu contexto
histórico. Durante a guerra e a violência que envolveram o dominio de Israel em
1948, nossas perdas foram imensas. Mais de 726 mil palestinos cristãos e
mulçumanos – a maioria da população árabe palestina – fugiu ou foram forçados a
deixar suas casas pelas milicias sionistas. Mais de 400 vilarejos palestinos no
território hoje chamado de Israle foram destruidos ou despovoados. |
Apoiando a solução de um estado duplo representa reconhecer a soberania de
Israel sobre 78% de nossa terra e exercitando nosso direito de auto-determinação
somente nos 22% restantes que Israel ocupa militarmente desde 1967: a
Cisjordânia, incluindo a parte oeste de Jerusalem, e a faixa de Gaza. Fizemos
este histórico compromisso por que acreditamos que esta forma nos traria a
liberdade.
Claro que não foi assim que as coisas se resolveram: Palestinos vivem sob a
ocupação israelense há 41 anos. Agora que Obama se prepara para entrar na Casa
Branca, temos confiança que ele levará em conta o papel construtivo que a
América tem na nossa busca por paz e segurança.
Neste ano, desde que Palestinos e Israelenses renovaram seus compromissos para
suas obrigações sobre o “mapa da estrada”, podemos ter falhado em alcançar uma
conclusão para nosso conflito, o que não significa que os esforços foram em vão.
Com a determinação dos dois lados, tenho confiança em que poderemos chegar a um
acordo final rapidamente.
Os Estados Unidos podem executar quatro passos práticos para ajudar no avanço
imediato de nossas negociações. O primeiro passo é um engajamento primário. Os
esforços da Administração Bush em dar assistência ao nosso projeto de paz
falharam em parte porque nosso conflito foi negligenciado durante grande parte
de sua duração. Permitir o crescimento do conflito só agravou a insegurança das
pessoas e a instabilidade da região.
Segundo, os Estados Unidos deveriam estabelecer um mecanismo de regulação com
credibilidade, para garantir que as partes cumpram suas obrigações,
particularmente o congelamento da atividade nos acampamentos israelenses em todo
território palestino ocupado. Israel não somente falhou em suspender suas
atividades desde Annapolis – em violação a uma lei internacional e seus
compromissos renovados com o mapa – mas também acelerou aquela atividade.
A construção de casas em seus acampamentos é 45% maior agora do que era nove
meses antes de Annapolis. As demolições israelenses de casas palestinas também
cresceram, particularmente na parte ocupada da Jerusalem leste. Nada reduz a fé
palestina no processo de paz do que assistir as casas de nossas familias
colocadas no chão, enquanto a arquitetura do opressor é fortalecida.
Terceiro, os novos administradores souberam encorajar o re-engajamento de seu
quarteto de parceiros – As Nações Unidas, a União Européia e a Russia – na
mediação do processo. A cooperação internacional é a chave para assesgurar a
legitimação das negociações, e será critica quando o tempo chegar para o reforço
ou implementação de qualquer acordo. Os Estados Unidos não podem dar de ombros
para as feridas pós conflitos dos cuidados com a paz.
Quarto ponto, os Estados Unidos devem renovar seu respeito pelas leis
internacionais, reconhecendo três princípios: que as barreiras anteriores a
ocupação de 1967 devem ser respeitadas em qualquer negociação; que a soberania
Palestina sobre Jerusalem oriental deve ser salvaguardada, com acesso garantido
a Mulçumanos, Cristãos e Judeus aos seus solos sagrados e que o apelo dos
refugiados palestinos, que sua inocência permanece emblemática para palestinos,
deve ser reconhecida e direcionada.
Por sorte, já existem inciativas que apoiam estas preocupações. O tratado de Paz
Árabe de 2002 oferce a Israel uma oportunidade única: total normalização das
relações com 57 estados Árabes e Mulçumanos, tendo como contrapartida um tratado
de paz compreensivo, incluindo um final para as ocupações israelenses nas terras
Árabes e um acordo com soluções para refugiados.
Nossa declaração de Independência agora têm 20 anos de idade. A Iniciativa da
Paz Arabe vêm colecionando poeira por mais de seis anos. A paciência Palestina
não é infinita, alguns já deixaram de acreditar em um estado Palestino que
emergirá. Outros, como eu, discutem que não podemos perder a fé. Mas ainda vamos
realizar nosso sonho de liberdade e cidadania, e provar ao contrário dos cínicos
– que precisamos da ajuda do presidente Obama.
Yasser Abed Rabbo é Secretário Geral do Comitê excutivo para a Organização para
a Libertação da Palestina (PLO). Copyright:
Project Syndicate,
2008.
O Comitê Brasileiro de Interesse Nacional Palestino é uma organização sem fins lucrativos cuja principal missão é trabalhar
com o corpo legislativo do Brasil na legislação que fortalece a relação entre
Brasil e Palestina. |
Como você pode ajudar?
Torne-se
Sócio de Comitê Brasileiro de Interesse Nacional Palestino
ou por favor entre em
contato conosco para mais informações. |