Atravessando a Abertura Relatório: Guerra só acaba com criação do Estado da
Palestina, diz diretor executivo de CBINP

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Do Lifta, Jerusalém, Husam Bajis é o Diretor Executivo do Comitê brasileiro
Interesse Nacional Palestino.
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Por Daniel Roncaglia, 08/01/2009
O Hamas é um grupo de resistência que existe porque os palestinos não têm
governo, armas, segurança e direitos. Por isso, o histórico conflito com Israel
somente acabará quando o povo palestino conseguir o reconhecimento legal de seu
Estado. É o que pensa o analista político Husam Bajis, diretor-executivo do
Comitê Brasileiro de Interesse Nacional Palestino.
“A Faixa de Gaza não tem nenhuma autonomia jurídica e social. Só um
governo de unidade
dará dignidade a todos os palestinos”, afirma o
palestino que mora nos Estados Unidos.
Segundo Bajis, o grupo que comanda a Faixa da Gaza não pratica
terrorismo. “Por
não ter um governo e um exército, os palestinos não têm proteção. Antes jogavam
pedras, agora o Hamas solta foguetes como resistência. É única forma de se
defender de Israel”, diz.
Para ele, Israel tenta colonizar os territórios
palestinos, violando o artigo 49 da 4ª Convenção de Genebra, que proíbe a
anexação de territórios por força.
Ele argumenta que o baixo número de israelenses mortos com os foguetes mostra
que os atos do Hamas não
são terroristas, mas uma atitude de oposição.
Dados da ONG Israel Project revelam que, desde 2003, mais de 10 mil foguetes
foram lançados no sul de Israel, causado a morte de 28 pessoas.
O analista diz que Israel comete crime de guerra na
atual ofensiva, que dura 13 dias e já matou mais de 700 palestinos e 10
israelenses. “Como um país pode atacar um povo que nem exército tem? Isso é um
crime de guerra”, afirma. Segundo Bajis, para Israel é interessante mostrar o
Hamas como um grupo terrorista para os outros países, já que assim pode
justificar seus ataques. |
Bajis diz defender a paz. “É preciso um acordo para parar a guerra. Quem está
sofrendo com essa situação são mulheres
e crianças, que não têm poder para falar.”
O analista entende que não adianta acabar com o Hamas. “Se Hamas é eliminado,
aparece outro grupo”, avalia. Bajis defende a unidade dos palestinos. “O mundo
vai defender a Palestina apenas quando os palestinos demonstrarem união”, conta.
Para o analista, Barack Obama, que assume a
Presidência dos Estados Unidos este mês, não ajudará a mudar a situação. “Eles
têm muitos problemas na economia. Não vão fazer coisas diferentes”, explica.
Bajis acredita que o Brasil pode ter papel de destaque neste conflito, lembrando
que o país defende tanto a legalidade da
Organização para
Libertação da Palestina quanto da
Autoridade Nacional
Palestina.
Por isso, o comitê que dirige defende a entrada do país no Conselho de Segurança
da ONU. “O Brasil é um exemplo de país onde a convivência entre árabes e judeus
é pacífica”, afirma o palestino.
Este artigo foi publicado por
Daniel Roncaglia através do
Consultor Jurídico.
O Comitê Brasileiro de Interesse Nacional Palestino é uma organização sem fins lucrativos cuja principal missão é trabalhar
com o corpo legislativo do Brasil na legislação que fortalece a relação entre
Brasil e Palestina.
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